O Dia Internacional da Mulher, celebrado todos os anos no dia 8 de março, é um marco para a comemoração dos direitos da mulher e de uma sociedade menos sexista. Mais que isso, é uma oportunidade para refletirmos sobre o passado e o presente sobre a participação da mulher na sociedade em cada uma de suas instâncias. E é claro que a engenharia não poderia ficar de fora!
Em resumo: a mulher na engenharia
A engenharia ainda é uma área majoritariamente masculina, mas a participação feminina cresce. Segundo dados do Confea de 2015, as mulheres eram 30,3% das matrículas em engenharia civil e 26,9% dos profissionais da área.
Em uma área tradicionalmente masculina, a busca por espaço ainda tem um longo caminho para percorrer, mas nos últimos anos, alguns avanços de representatividade foram conquistados.
Dados do Conselho Federal de Engenheiros e Agrônomos (Confea), referentes a 2015, mostram que as mulheres representavam 30,3% das matrículas em cursos de engenharia civil e 26,9% de todos os profissionais da área no mercado. Se os números ainda parecem tímidos (a alta só é ininterrupta a partir de 2012), eles demonstram o maior crescimento da representatividade feminina já registrado na engenharia em nosso país.
Na sociedade brasileira como um todo, criou-se um mito de que as áreas de ciências exatas e tecnologia devem ser ocupadas por homens. Essa máxima está sendo quebrada aos poucos e o Dia Internacional da Mulher é uma ocasião perfeita para olharmos de forma crítica para nosso cenário e discutirmos as mudanças necessárias para termos um futuro com oportunidades iguais para todos os gêneros.
Criamos um infográfico para mostrar de forma mais clara o cenário atual da mulher na engenharia. Confira!

O cenário da mulher na engenharia em números
Os dados abaixo reproduzem o infográfico da Atex, publicado em março de 2019, com os números disponíveis na época.
Engenheiras e engenheiros no Brasil (2003 a 2013)
Segundo a RAIS, do Ministério do Trabalho e Emprego, com elaboração do Dieese, a participação das mulheres entre os profissionais de engenharia com emprego formal passou de 16,8% em 2003 para 20,8% em 2013. A dos homens caiu de 83,2% para 79,2% no mesmo período.
Em números absolutos, eram 121.520 engenheiros e 24.554 engenheiras em 2003 (146.074 no total) e 216.725 engenheiros e 57.022 engenheiras em 2013 (273.747 no total). Nesses dez anos, o total de profissionais cresceu 87,4%; o número de engenheiros, 78,3%; e o de engenheiras, 132,2%.
Principais problemas relatados por mulheres na engenharia
- Desencorajamento, desde cedo, a entrar na área.
- Menor reconhecimento em relação aos homens.
- Baixa credibilidade em seus discursos.
- Assédio sexual no trabalho.
- Vagas direcionadas ao público masculino.
Diferença de remuneração
Um relatório da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) mostra que a desigualdade salarial entre engenheiros e engenheiras segue expressiva, apesar dos avanços no período. Com base na RAIS, o salário das engenheiras equivalia a 70,3% do salário dos engenheiros em 2003 e chegou a 79% em 2013.
A maior desigualdade estava na engenharia química, em que as mulheres recebiam 64,8% do salário dos homens em 2013. A menor estava entre agrimensores e cartógrafos: 94,6%.
As mulheres na engenharia civil
Na engenharia civil, dados do Confea e do Censo da Educação Superior, levantados pelo IDados, mostram que as mulheres passaram de 20,9% para 30,3% dos estudantes entre 2005 e 2015. No mercado de trabalho, a participação subiu de 23,9% para 26,9% no mesmo período.
É na sala de aula que o avanço é mais visível: as matrículas femininas em cursos de engenharia passaram de 229 mil em 2013 para 316 mil em 2015, uma alta de 38%.
Igualdade de gênero
No Global Gender Gap Report 2018, do Fórum Econômico Mundial, o Brasil ficou em 95º lugar entre 149 países, cinco posições abaixo do ano anterior, atrás de países como Senegal, Camboja e Mianmar. O ranking avalia quatro áreas: educação, saúde, renda e participação política.
A igualdade de gênero segue sendo uma luta importante não só na engenharia, mas no Brasil e no mundo. Que o 8 de março seja sempre uma renovação da luta pela igualdade e pela dignidade da mulher.
Fontes
- Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). Perfil profissional dos engenheiros. fne.org.br (PDF)
- G1. Porcentagem de mulheres nas faculdades de engenharia civil cresce mais que número de engenheiras no mercado. g1.globo.com
- Uninter. Atuação das mulheres na engenharia cresce 130% em 10 anos. uninter.com
- SEESP, Jornal do Engenheiro. Gênero: mais mulheres na engenharia, apesar das dificuldades. seesp.org.br
- World Economic Forum. The Global Gender Gap Report 2018. weforum.org (PDF)
Perguntas frequentes
É celebrado todos os anos em 8 de março, como marco dos direitos da mulher e de uma sociedade menos sexista.
Sim. Segundo o Confea, a alta é ininterrupta a partir de 2012, o maior crescimento da representatividade feminina já registrado na engenharia no país.
Criou-se o mito de que as ciências exatas e a tecnologia devem ser ocupadas por homens. Essa ideia vem sendo quebrada aos poucos.