Tecnologia de fôrmas Atex viabiliza pontes de baixo custo apoiadas em gabiões, dimensionadas para o padrão TB-45 — e abre caminho para novas aplicações em fundações
Há projetos que precisam chegar até onde o asfalto não alcança. Nas estradas vicinais do interior do Brasil, onde o escoamento da produção agrícola depende de travessias simples e resistentes, a engenharia estrutural tem uma responsabilidade que vai além dos grandes centros urbanos. Foi justamente nesse cenário que surgiu um projeto que merece atenção de todos nós, profissionais da construção: uma ponte vicinal construída com laje nervurada pré-moldada, utilizando as fôrmas plásticas para concreto Atex, apoiada sobre gabiões e calculada para suportar o padrão TB-45.
O projeto foi calculado pelo escritório do engenheiro estrutural Raul Neuenschwander, e reúne duas inovações que, juntas, abrem um campo promissor para a engenharia de infraestrutura no Brasil: o uso das Fôrmas Atex para modelagem da laje nervurada pré-moldada e a aplicação dessa laje como elemento principal da própria ponte. Simples na aparência, sofisticado na concepção.
A fôrma que transforma a laje e a laje que vira ponte
A laje nervurada pré-moldada não é novidade na engenharia estrutural. O que muda aqui é a qualidade e a versatilidade do sistema de fôrmas utilizado para produzi-la. As Fôrmas Atex oferecem um portfólio de mais de 210 dimensões diferentes, com larguras mínimas de nervuras de 6 cm a 20 cm e alturas de moldagem de 10 cm a 50 cm.
Um acervo que permite atender praticamente qualquer projeto, dos mais simples aos mais complexos. Não é exagero dizer que essa amplitude de opções coloca a Atex em uma posição rara no mercado: a empresa está presente em todo o Brasil, com logística e suporte para atender obras nas mais diversas regiões.
Um ponto que precisa ser destacado para engenheiros, construtores e empreiteiros: a Atex trabalha com o modelo de locação de fôrmas para concreto: lajes (nervuradas, maciças ou mistas) vigas e pilares. Isso representa uma vantagem competitiva relevante para obras que buscam reduzir o capital imobilizado em equipamentos, otimizar o fluxo de caixa e aumentar a eficiência do canteiro. A locação profissionaliza o processo construtivo sem onerar o balanço patrimonial da empresa.
“Toda cidade do interior precisa dessas pontes”
A afirmação é do próprio Eng. Raul Neuenschwander, e ela sintetiza, com precisão cirúrgica, a oportunidade que esse sistema representa. A ponte em questão possui um vão de 6,0 metros, podendo ser dimensionada para vãos de até 9,0 metros, e está calculada para o padrão TB-45 — referência normativa para veículos pesados que trafegam em estradas rurais e municipais.

A estrutura de apoio em gabiões, compostos por pedras naturais confinadas em telas metálicas, é um elemento que agrega dois atributos fundamentais: baixo custo e facilidade de execução. O engenheiro é direto: “Essas pontes vicinais, apoiadas em Gabião, são muito baratas e fáceis de serem executadas. Toda cidade do interior precisa dessas pontes…!” Não poderia concordar mais.
O Brasil tem mais de 5.500 municípios, e boa parte deles ainda convive com travessias precárias, improvisadas, que comprometem a segurança, o escoamento da produção e o acesso de serviços essenciais.

Para gestores municipais, secretários de obras e vereadores que eventualmente leiam esta coluna: aqui está uma solução técnica, economicamente viável, já calculada e já executada. Não há desculpa para deixar uma comunidade rural dependente de uma travessia improvisada quando existe tecnologia acessível para resolver o problema.
O painel de laje nervurada pré-moldada como radier para fundações
A inovação não para na ponte. O painel de laje nervurada pré-moldada produzido com as Fôrmas Atex está sendo estudado para aplicação como laje sobre solo (Radier) para fundação de edificações. Segundo o Eng. Neuenschwander: “Estamos desenvolvendo os estudos nesse momento.”

Isso é o que chamo de raciocínio sistêmico na engenharia. Um mesmo sistema construtivo, modular e produzido com fôrmas padronizadas, sendo adaptado para múltiplas aplicações estruturais. Se os estudos confirmarem a viabilidade técnica, e há boas razões para acreditar que sim, estaremos diante de uma solução que pode transformar o modo como projetamos fundações superficiais em terrenos com capacidade de carga intermediária, especialmente no interior do país, onde o custo de sistemas convencionais de fundação é frequentemente proibitivo para pequenas e médias obras.
