O Brasil possui uma tradição invejável e reconhecida mundialmente, quando o assunto é o uso do concreto armado em obras de grande porte. Se olharmos para o cenário de Belo Horizonte, um dos exemplos mais emblemáticos dessa capacidade técnica e da ousadia da engenharia nacional é o Estádio Jornalista Felipe Drummond, popularmente conhecido como Mineirinho.
A revista Estrutura publicou uma matéria especial, de autoria do engenheiro Marcos da Costa Terra, celebrando os 50 anos do projeto estrutural deste ícone arquitetônico.
Para nós, da Atex, que vivemos a inovação na construção civil continuamente, revisitar a história de obras monumentais não é apenas um exercício de resgate de memória; é essencial para compreender a evolução das tecnologias construtivas.
Neste artigo, mergulhamos nos detalhes técnicos dessa obra que, à sua época, redefiniu os limites do possível.
Um gigante de concreto: A grandiosidade em números
Inaugurado em 1980, o Mineirinho não impressiona apenas pela sua estética brutalista e imponente, mas pelos números superlativos de sua estrutura, que exigiram cálculos precisos e execução rigorosa. O projeto foi concebido com um formato redondo, apresentando um diâmetro total de 144 metros e uma altura de 38,5 metros.
Internamente, o ginásio foi dividido em 9 níveis de utilização. Essa distribuição compreende áreas de formato “coroa circular”, limitadas pela fachada externa e pelas arquibancadas internas. Essa configuração permitiu não apenas a acomodação do público, mas uma circulação fluida que se tornaria referência para ginásios poliesportivos.
Contudo, por mais que a fundação e o corpo do estádio sejam impressionantes, o grande protagonista da obra — e o maior desafio para a engenharia da época — é, sem dúvidas, a sua cobertura.
O recorde mundial da cobertura e o desafio dos balanços
Na ocasião de sua construção, o projeto estrutural garantiu ao Mineirinho um título de peso: a maior cobertura em concreto do mundo.
Para entender a complexidade desse feito, precisamos olhar para os detalhes da estrutura concebida pelos engenheiros Marcos da Costa Terra e Oldemar de Salles Pereira. Eles precisavam cobrir uma área gigantesca sem o uso de pilares centrais que obstruíssem a visão do espetáculo esportivo.
A solução encontrada foi uma cobertura composta por 48 vigas protendidas, dispostas radialmente. A engenharia aplicada aqui é fascinante:
- Cada viga possui 70 metros de comprimento.
- Desses 70 metros, 20 metros vencem o vão entre o pilar externo e o interno.
- Os outros 50 metros estão em balanço, projetando-se em direção ao centro da arena sem apoio direto inferior.
Para suportar as cargas e garantir a integridade desse sistema radial, as extremidades internas das vigas são interligadas por um robusto anel de fechamento em concreto armado. A grandiosidade dessa cobertura soma uma área total de 16.300 m², criando uma “tampa” de concreto que flutua sobre a arena.
Bastidores de um ícone: A cronologia e a equipe
A trajetória do “Palácio dos Esportes” começou oficialmente em 1973, quando o governo do Estado de Minas Gerais licitou o projeto estrutural. A vencedora do certame foi a SEELTA Serviços de Engenharia Estrutural Ltda., uma tradicional empresa de projetos estruturais de Belo Horizonte.
O desafio era compatibilizar a visão arquitetônica moderna dos arquitetos Richard Lima e Francisco Abel com a viabilidade física e financeira. A concepção da estrutura e fundação foi desenvolvida em um prazo de 12 meses, um tempo recorde considerando a complexidade dos cálculos na era pré-digital massificada.
Durante os anos seguintes, o acompanhamento foi constante, e a supervisão técnica da execução prosseguiu até a inauguração, em 1980.
A evolução dos grandes vãos: Do Mineirinho às soluções contemporâneas
O Mineirinho permanece como um testemunho da capacidade da engenharia brasileira de vencer desafios complexos. O cerne da questão naquele projeto era a necessidade de vãos livres. Em uma arena esportiva, pilares são obstáculos; a estrutura precisa sair do caminho, com segurança, para dar lugar à experiência.
Hoje, 50 anos após a concepção desse projeto, essa necessidade não apenas se mantém, como se expandiu. Shopping centers, edifícios corporativos, galpões logísticos e até residências de alto padrão buscam cada vez mais a amplitude dos espaços abertos.
O setor evoluiu. Se na década de 70 a solução para vencer grandes vãos exigia vigas de concreto maciço extremamente pesadas e complexas operações de protensão, hoje buscamos alcançar resultados similares com mais sustentabilidade, leveza e produtividade no canteiro de obras.

Como a Atex dialoga com esse legado de inovação
É nesse ponto que a história do Mineirinho se conecta com a missão da Atex. Nós somos especialistas em viabilizar vãos maiores com menos pilares, utilizando a tecnologia das Lajes Nervuradas, que reduz volume de aço e concreto nas lajes.
Enquanto os engenheiros do Mineirinho tiveram que lidar com volumes massivos de concreto para garantir a estabilidade, as soluções da Atex, como as fôrmas para lajes nervuradas, permitem retirar o concreto da zona tracionada (onde ele não tem função estrutural).
Isso resulta em:
- Vãos amplos: Permitindo layouts flexíveis e modernos, sem a necessidade de vigas tão robustas quanto as de 50 anos atrás.
- Estruturas mais leves: Reduzindo a carga nas fundações.
- Economia de materiais: Menor consumo de aço e concreto.

Além disso, sistemas como o Planex Atex modernizam a execução de lajes maciças e vigas, substituindo a madeira por fôrmas plásticas de alta durabilidade, alinhando a obra aos conceitos modernos de ESG e redução de resíduos — uma preocupação que, embora incipiente nos anos 70, hoje é mandatória.
Mineirinho: o futuro sobre bases sólidas
Celebrar os 50 anos do projeto estrutural do Mineirinho é reconhecer a excelência da engenharia nacional. É uma prova de que, com técnica e criatividade, não há vão que não possa ser vencido.
A Atex se orgulha de fazer parte dessa contínua evolução da construção civil brasileira, oferecendo ferramentas para que os engenheiros de hoje possam projetar os ícones do amanhã, com a mesma ousadia do passado, mas com a eficiência e sustentabilidade que o futuro exige.